A santidade começa onde você está!

Quando ouvimos falar em santos, talvez pensemos logo em pessoas extraordinárias, que realizaram grandes obras, fizeram milagres ou viveram experiências muito diferentes das nossas. Mas a Solenidade de Todos os Santos nos recorda algo muito importante: a santidade não é privilégio de algumas pessoas. É um chamado para todos nós!

E o Evangelho deste domingo nos ajuda a compreender isso. Jesus sobe à montanha e apresenta as bem-aventuranças. Ele chama de felizes os pobres em espírito, os mansos, os que choram, os misericordiosos, os que têm fome e sede de justiça, os que promovem a paz e até aqueles que são perseguidos por causa da justiça.

Mas será que essa é mesmo a felicidade que procuramos?

O mundo costuma apresentar outros caminhos: ter mais, aparecer mais, vencer sempre, ser reconhecido, não demonstrar fraqueza. Jesus, porém, aponta para uma felicidade que nasce de um coração aberto a Deus e atento às necessidades dos outros.

As bem-aventuranças não são uma lista de coisas impossíveis. São um jeito de viver. Ser santo é aprender a ser misericordioso quando seria mais fácil julgar; promover a paz quando todos parecem querer brigar; defender a justiça quando o silêncio seria mais confortável; repartir quando a tentação é guardar tudo para si.

E atenção: Jesus não está dizendo que precisamos gostar do sofrimento ou aceitar as injustiças. Ele está mostrando que Deus está ao lado dos pequenos, dos que sofrem e daqueles que lutam por um mundo mais justo. E nos convida a fazer o mesmo.

Talvez você conheça pessoas assim. Gente simples, que nunca será canonizada, mas que marcou a vida de muita gente com sua bondade. Uma mãe, um avô, uma professora, um amigo, alguém que ensinou a perdoar, acolher e continuar acreditando. Também são testemunhos de santidade.

A santidade não acontece apenas nos grandes gestos. Ela começa nas pequenas escolhas de cada dia.

Por isso, não precisamos esperar uma ocasião extraordinária para começar. O lugar onde você está, as pessoas com quem convive e as situações que enfrenta são oportunidades para viver o Evangelho.

Hoje, ao celebrarmos Todos os Santos, não olhamos apenas para aqueles que já chegaram à plenitude da vida em Deus. Olhamos também para o caminho que somos chamados a percorrer.

Afinal, ser santo não é deixar de ser humano. É permitir que Deus nos ensine a amar cada vez mais, do jeito de Jesus.


Frei Augusto Luiz Gabriel

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