Amar como Frei Galvão

“Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. […] Amarás ao teu próximo como a ti mesmo.”

Jesus resume toda a Lei em duas palavras: amar a Deus e amar o próximo. Parece simples. Mas talvez seja uma das coisas mais difíceis de viver. Porque amar a Deus não é apenas rezar. E amar o próximo não é apenas tratar bem quem gostamos. O amor de que Jesus fala precisa sair das palavras e chegar à vida.

E neste domingo, em que celebramos a memória de São Frei Galvão, temos um testemunho muito bonito disso. Frei Galvão não ficou conhecido apenas por aquilo que dizia. Sua vida foi marcada pelo serviço, pela oração, pela atenção aos doentes, aos pobres e às pessoas que procuravam nele uma palavra de esperança.

Ele fez do amor uma maneira concreta de viver o Evangelho. E isso conversa diretamente com a primeira leitura. Deus pede ao povo que não maltrate o estrangeiro, que cuide da viúva, do órfão e do pobre. Ou seja: o amor a Deus precisa aparecer na forma como tratamos as pessoas, especialmente aquelas que mais precisam.

É fácil amar quando tudo está bem. Difícil é amar quando o outro nos incomoda. Quando pensa diferente. Quando erra. Quando precisa da nossa paciência. Quando não pode nos oferecer nada em troca.

Por isso, talvez a pergunta deste domingo não seja apenas “eu amo a Deus?”. A pergunta pode ser: como o meu amor por Deus aparece na maneira como trato as pessoas?

Frei Galvão nos recorda que santidade não significa viver distante dos problemas do mundo. Significa colocar o Evangelho dentro da vida concreta. Na família. Na comunidade. No trabalho. Na escola. Nas redes sociais. Na maneira como falamos de alguém que não está presente. Na forma como acolhemos quem chega. No cuidado com quem sofre.

Amar a Deus de todo o coração e amar o próximo como a nós mesmos. É isso que Jesus coloca no centro.

E talvez Frei Galvão nos ajude a perceber que a santidade começa justamente aí: quando o amor deixa de ser apenas uma palavra bonita e começa a ganhar rosto, mãos, tempo, cuidado e serviço.

Quem ama a Deus de verdade aprende a reconhecer o irmão como alguém que também merece amor. Que São Frei Galvão nos ensine a transformar o amor em atitude e a fazer da nossa vida um espaço onde Deus possa ser encontrado.


Frei Augusto Luiz Gabriel

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