O que pertence a Deus?

“Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.”

Essa frase de Jesus talvez seja uma das mais conhecidas do Evangelho. Mas, quando olhamos com atenção, percebemos que Jesus está fazendo muito mais do que responder a uma pergunta sobre impostos.

Os fariseus tentam colocá-lo em uma armadilha. Se Jesus responde que é preciso pagar o imposto, pode ser acusado pelos que rejeitavam a dominação romana. Se responde que não, poderia ser acusado pelas autoridades.

Jesus não entra no jogo. Ele olha para a moeda, pergunta de quem é a imagem e então conduz a conversa para algo muito maior: se algumas coisas trazem a imagem de César, nós trazemos a imagem de Deus.

Nossa vida, nossas escolhas, nossos relacionamentos, nosso jeito de trabalhar, de consumir, de usar as redes sociais, de tratar quem pensa diferente… tudo isso pode revelar de quem somos.

É muito fácil colocar uma parte da vida nas mãos de Deus e reservar o restante para nós mesmos. “Aqui é minha fé. Aqui são meus negócios. Aqui são minhas amizades. Aqui estão minhas escolhas.” Mas Jesus não parece pensar a vida dessa maneira.

Seguir Jesus é permitir que o Evangelho alcance a vida inteira.

Paulo, na segunda leitura, recorda a comunidade de Tessalônica porque a fé deles não ficou apenas nas palavras. Ela apareceu na prática, na esperança e no amor.

E talvez essa seja a pergunta deste domingo: a imagem de Deus aparece nas minhas atitudes? Quando alguém olha para mim, consegue encontrar um pouco de misericórdia? De justiça? De verdade? De esperança? De amor?

Dar a Deus o que é de Deus também significa entregar a Ele aquilo que somos e permitir que sua presença transforme aquilo que fazemos. No fim, não se trata apenas de perguntar “o que é de César?”. A pergunta mais profunda talvez seja: o que, na minha vida, ainda não entreguei a Deus?


Frei Augusto Luiz Gabriel

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