“Senhor, deixa a figueira ainda este ano. Vou cavar em volta dela e colocar adubo. Pode ser que venha a dar fruto. Se não der, então tu a cortarás” (Lc 13, 8-9).
O Evangelho deste terceiro domingo da quaresma nos traz a reflexão sobre a morte. Existe um modo de morrer igual a todos e existe o modo de morrer cristão. As duas passam pela morte, porém uma delas gera algo e a outra leva para uma segunda morte. Inclusive no cântico das criaturas, São Francisco falará sobre a segunda morte. Qual a diferença dessas duas mortes?
Vejamos a morte que é igual a de todos é uma morte comum que de um certo modo todos passarão, pois todos irão morrer um dia. A primeira é a morte do nosso corpo, que como sabemos a única certeza que temos quando nascemos é que um dia morreremos. Essa morte comum ou podemos chamar de primeira morte, é um morte que independe da condição financeira, social ou geográfica. Deste modo, é uma morte que todos os povos de todos os tempos irão passar. Mas, eis que a partir dessa primeira morte, vem a segunda morte. A segunda morte se encontra no exemplo da figueira do Evangelho, aquela que não estava dando frutos, deveria ser cortada. Mas eis que o agricultor para evitar uma morte da figueira, diz que colocará adubo para que produza frutos. A segunda morte é a morte da alma. A morte da alma ou a segunda morte também podemos chamar de morte eterna. É uma alma que não produziu frutos, não recebeu adubos durante a primeira vida (vida terrena) e consequentemente não conseguirá viver a segunda vida (vida eterna).
Para viver na segunda vida, na vida eterna, necessariamente precisamos adubá-la aqui na terra. Adubando ela, na hora da nossa primeira morte, a segunda morte (da alma) não ocorrerá, pelo contrário, a partir da primeira morte a nossa alma ganha a segunda vida ou vida eterna. Ganhou porque na terra foi adubada. Caros irmãos, adubamos nesta quaresma com a confissão, eucaristia e oração para estarmos sempre prontos para morte primeira e evitarmos a morte segunda. Paz e bem!
Frei Jhones