O amor não termina com a morte

Há datas que nos fazem parar um pouco. O Dia de Finados é uma delas. É um dia em que a saudade ganha espaço, as lembranças voltam com força e recordamos pessoas que fizeram parte da nossa história e que já não estão fisicamente entre nós.

Cada pessoa tem uma lembrança, um rosto, uma voz, um abraço que gostaria de receber novamente. E não precisamos esconder a saudade. A fé cristã não nos pede para deixar de sentir a dor da perda. Jesus também chorou diante da morte de seu amigo Lázaro.

Mas a Palavra de Deus nos convida a olhar para a morte sem perder a esperança.

Na primeira leitura, Jó faz uma das mais bonitas profissões de fé: “Eu sei que o meu redentor está vivo!” É uma afirmação que nasce em meio ao sofrimento. Jó não ignora a dor, não finge que está tudo bem, mas encontra em Deus a razão para continuar esperando.

Na segunda leitura, São Paulo anuncia que Cristo ressuscitou dos mortos, como primeiro entre aqueles que adormeceram. A ressurreição de Jesus muda nossa maneira de compreender a morte. Ela continua sendo uma experiência dolorosa, mas já não tem a palavra final. Nossa esperança está naquele que venceu a morte e nos abriu o caminho da vida eterna.

Hoje recordamos nossos familiares, amigos e tantas pessoas queridas que partiram. Recordamos suas histórias, aquilo que aprendemos com elas, os momentos compartilhados e até as palavras que ficaram por dizer. A saudade permanece, mas a fé nos ajuda a confiar que a vida de quem amamos está nas mãos de Deus.

Também é um dia para pensar na maneira como estamos vivendo. Se acreditamos na ressurreição, precisamos aprender a valorizar a vida que recebemos. Não deixar para amanhã o abraço, o perdão, a visita, a palavra de carinho. Não esperar perder alguém para reconhecer sua importância.

A esperança cristã não é uma fuga da realidade. É a certeza de que o amor de Deus é maior do que a morte e de que nossa história não termina no túmulo.

Neste dia, rezemos por aqueles que partiram e confiemos cada um deles à misericórdia do Pai. E, enquanto caminhamos, sejamos presença de amor na vida de quem está ao nosso lado.

A saudade nos lembra de quem amamos. A fé nos ajuda a confiar que, em Deus, a vida não termina e o amor não se perde.

Deixe uma resposta