Você está com pressa. Deus está trabalhando.

Vivemos na geração do imediato.

Queremos respostas rápidas, resultados instantâneos e mudanças que aconteçam da noite para o dia. Se uma mensagem demora para ser respondida, já ficamos ansiosos. Se um sonho não se realiza logo, pensamos em desistir. Parece que tudo precisa acontecer agora.

Mas o Evangelho deste 16º Domingo do Tempo Comum nos apresenta uma lógica completamente diferente: a lógica do tempo de Deus.

Jesus conta a parábola do joio e do trigo. Um agricultor percebe que, no meio do trigo, nasceu também o joio. Os empregados querem arrancá-lo imediatamente. Afinal, quem gosta de conviver com aquilo que faz mal?

Mas o dono do campo surpreende: “Deixai crescer um e outro até a colheita.” À primeira vista, essa atitude parece estranha. Mas Jesus quer revelar uma das características mais bonitas de Deus: sua paciência.

Deus não aprova o mal, mas também não desiste das pessoas. Ele acredita na força da conversão. Enquanto nós costumamos rotular, julgar e condenar rapidamente, Deus continua oferecendo novas oportunidades para recomeçar.

Essa parábola também nos faz olhar para dentro de nós. É fácil enxergar o “joio” na vida dos outros. Difícil é reconhecer que, dentro de nós, também convivem virtudes e limitações, generosidade e egoísmo, fé e dúvidas. Todos estamos em processo de crescimento.

Logo depois, Jesus conta duas pequenas parábolas: a do grão de mostarda e a do fermento. As duas ensinam a mesma verdade: o Reino de Deus cresce sem fazer barulho. Assim como uma pequena semente se transforma em árvore e um pouco de fermento faz crescer toda a massa, Deus age silenciosamente em nossa vida.

Talvez você esteja esperando uma grande mudança. Talvez esteja rezando por uma resposta, lutando para vencer um pecado ou sonhando com um novo começo. O Evangelho de hoje faz um convite importante: não desista porque os resultados ainda não apareceram.

Deus continua trabalhando, mesmo quando você não consegue perceber.

O Reino cresce no perdão que você escolhe oferecer. Na honestidade que ninguém aplaude. Na oração feita em silêncio. Na coragem de recomeçar depois de um erro. Em cada pequena atitude de amor, Deus faz nascer algo novo.

Num mundo marcado pela ansiedade, Jesus nos ensina uma virtude que parece estar em falta: a paciência. Não uma paciência passiva, mas uma confiança ativa de quem continua fazendo o bem, acreditando que Deus conduz a história.

Enquanto você tem pressa, Deus continua cultivando. Enquanto você pensa em desistir, Deus continua semeando. E quando chegar o tempo da colheita, você perceberá que nenhuma semente plantada com amor foi em vão.


Frei Augusto Luiz Gabriel

Deixe uma resposta