Jovem, que cruz você está disposto a carregar por amor?

O Evangelho deste domingo traz uma frase que pode assustar: “Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga.”

Em uma sociedade que ensina o tempo todo a buscar conforto, sucesso, reconhecimento e aprovação, Jesus apresenta uma lógica diferente: nem tudo aquilo que parece perda é realmente perda. Há renúncias que libertam e escolhas difíceis que nos conduzem à vida.

Para vocês, jovens, talvez a pergunta seja: o que eu preciso deixar para conseguir seguir Jesus de verdade? Pode ser a necessidade de agradar todo mundo, o medo de não ser aceito, uma amizade que me afasta de quem eu quero ser, o orgulho, a comparação constante ou até aquele desejo de provar meu valor o tempo inteiro. Jesus não está dizendo que precisamos abrir mão de tudo o que nos faz felizes. Ele está perguntando se temos coragem de abrir mão daquilo que nos impede de amar.

São Paulo diz: “Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos, renovando a vossa maneira de pensar.”  E isso fala muito diretamente à juventude. O mundo diz: “pense primeiro em você”; Jesus diz: ame. O mundo diz: “vença a qualquer preço”; Jesus diz: sirva. O mundo diz: “apareça”; Jesus nos ensina a descobrir o valor de uma vida que nem sempre precisa estar sob os holofotes.

Mas é importante entender: carregar a cruz não significa procurar sofrimento. Jesus não pede que ninguém aceite violência, abuso, injustiça ou situações que destruam sua dignidade. A cruz cristã é aquilo que pode nascer quando escolhemos permanecer fiéis ao amor, à verdade e ao Evangelho. É continuar fazendo o bem quando ninguém aplaude, perdoar quando seria mais fácil guardar ressentimento e permanecer fiel aos valores em que acreditamos mesmo quando isso nos torna diferentes.

E aqui São Francisco de Assis se torna um grande exemplo. Ele também precisou renunciar a projetos, riquezas, prestígio e àquilo que imaginava para o próprio futuro. Aos olhos do mundo, parecia estar perdendo. Aos olhos de Deus, estava encontrando uma vida nova. Talvez Deus também esteja convidando você a fazer algumas “perdas” para encontrar algo muito maior: perder o orgulho para ganhar liberdade; perder a necessidade de aparecer para ganhar autenticidade; perder o egoísmo para ganhar fraternidade.

Então, jovem, faça hoje um pequeno silêncio e pergunte a Jesus: “O que eu estou segurando com força demais?” Um medo? Uma vaidade? Uma mágoa? Uma necessidade de aprovação? Uma relação? Um projeto que você quer controlar? Talvez exista alguma coisa que precise ser entregue para que você possa caminhar mais livremente.

E não se esqueça: a cruz não é a última palavra. A última palavra é a ressurreição. Seguir Jesus não significa escolher uma vida sem dificuldades; significa descobrir que nenhuma dificuldade precisa ter a palavra final sobre nossa história. Por isso, tenha coragem de perguntar, como São Francisco: “Senhor, que queres que eu faça?” E quando descobrir o caminho, tenha coragem de caminhar.


Frei Augusto Luiz Gabriel

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