Qual dos dois fez a vontade do pai?

É fácil dizer “sim”. Às vezes, basta uma palavra. “Sim, eu vou.” “Sim, pode deixar.” “Sim, eu acredito.” Mas existe uma diferença enorme entre dizer sim e realmente viver esse sim. É justamente aí que Jesus toca no Evangelho deste 26º Domingo do Tempo Comum.

Ele conta a história de um pai que pede aos dois filhos que vão trabalhar na vinha. O primeiro responde: “Não quero.” Mas depois se arrepende e vai. O segundo responde: “Sim, senhor.” Parece o filho perfeito. Educado, obediente, disposto. Mas ele não vai.

Então Jesus faz uma pergunta simples: “Qual dos dois fez a vontade do pai?”

A resposta parece óbvia. Mas, quando Jesus faz essa pergunta, Ele não está interessado apenas nos dois personagens da parábola. Está olhando para nós.
Porque também podemos dizer muitos “sins” para Deus e, na prática, viver como se tivéssemos dito “não”. Podemos dizer que acreditamos no amor e continuar alimentando rancores. Podemos falar de fraternidade e excluir quem pensa diferente. Podemos defender a justiça e permanecer indiferentes diante de quem sofre. Podemos participar da Igreja, rezar, conhecer a Bíblia e até falar muito sobre Deus, mas resistir quando o Evangelho pede uma mudança concreta em nossa vida. O Evangelho não pergunta apenas o que você diz. Pergunta o que você faz com aquilo que diz.

E aqui existe uma boa notícia. O primeiro filho disse “não”, mas sua história não terminou naquele não. Ele mudou de ideia. Ele voltou atrás. Ele foi.
Talvez essa seja uma das partes mais bonitas da parábola. Deus não nos prende ao nosso primeiro “não”. Talvez você também já tenha dito “não” para Deus. Pode ter sido por uma escolha errada, por uma mágoa, por afastamento, por comodismo ou simplesmente porque, em algum momento, você não quis ouvir o que Deus estava pedindo. Mas ainda é possível voltar para a vinha.

Por isso, talvez hoje Jesus esteja fazendo uma pergunta muito pessoal: qual é o meu “sim” que ainda não virou atitude? Que mudança eu sei que preciso fazer, mas continuo adiando? Que pessoa preciso perdoar? Que compromisso preciso assumir? Que injustiça não posso mais fingir que não vejo? Que chamado de Deus tenho escutado, mas ainda não tive coragem de responder?

O Evangelho deste domingo nos convida a uma fé que sai da boca e chega à vida. Uma fé que não fica apenas nas palavras bonitas, mas se transforma em escolhas, serviço, fraternidade, justiça e amor. E, se hoje percebermos que nosso “sim” ainda é pequeno ou que já dissemos muitos “nãos”, não precisamos desanimar. O Pai continua nos chamando para a sua vinha.

Talvez hoje seja o dia de transformar o seu “não” em um novo “sim”. Não um sim dito apenas com os lábios. Um sim vivido com a vida.


Frei Augusto Luiz Gabriel

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