A liturgia deste domingo começa com uma pergunta que Jesus não faz apenas aos discípulos, mas também a cada uma de nós: “E vós, quem dizeis que eu sou?”
É fácil responder aquilo que aprendemos na catequese: Jesus é o Filho de Deus, o Messias, nosso Salvador. Mas existe uma diferença enorme entre saber quem Jesus é e permitir que Ele seja, de verdade, o centro da nossa vida.
Para vocês, jovens, essa pergunta ganha uma força especial. Vivemos em um mundo que o tempo todo tenta dizer quem devemos ser: como devemos nos vestir, pensar, agir, qual carreira escolher, que aparência ter, o que postar e até o que significa “dar certo” na vida. No meio de tantas vozes, Jesus pergunta: “Mas você, pessoalmente, quem diz que eu sou?” Não é o Instagram, os amigos, a família ou a sociedade que precisam responder por você. É o seu coração.
Pedro responde: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo.” E essa resposta muda tudo. Porque reconhecer Jesus não é apenas ter fé; é deixar que essa fé transforme nossas escolhas, nossos relacionamentos e nossa maneira de enxergar o mundo.
Se Jesus é realmente o centro da minha vida, isso precisa aparecer na forma como eu trato meus pais, meus amigos, quem pensa diferente de mim e, principalmente, quem precisa de acolhida.
E existe algo muito bonito no Evangelho: Pedro não era perfeito. Jesus conhecia suas fragilidades e, mesmo
Isso também é uma mensagem para cada jovem que pensa: “Eu ainda não sou bom o suficiente”, “tenho tantos erros”, “Deus pode chamar outras pessoas, mas não a mim”. Deus não espera pessoas perfeitas. Ele chama pessoas disponíveis. A sua história, inclusive com suas dúvidas e fragilidades, pode ser lugar onde Deus começa algo novo.
Jesus também entrega a Pedro as chaves do Reino. E chave serve para abrir portas. Talvez hoje Jesus esteja perguntando: que portas você está abrindo na vida das pessoas? Você é alguém que acolhe ou exclui? Que aproxima ou afasta? Que incentiva ou desanima? A Igreja precisa de jovens que sejam chaves, pessoas capazes de abrir caminhos para quem está ferido, perdido, cheio de dúvidas ou procurando um lugar onde possa pertencer.
E talvez a pergunta mais importante desta liturgia não seja apenas “Quem é Jesus?”, mas: “O que muda na minha vida porque eu acredito em Jesus?”
Porque uma fé que fica somente nos lábios não transforma. Jesus quer entrar nas nossas decisões, nos nossos sonhos, nos nossos relacionamentos e no nosso futuro.
Por isso, jovem, leve hoje essa pergunta para sua oração: “Jesus, quem és Tu para mim?” E depois fique em silêncio. Talvez a resposta não venha imediatamente. Mas permita que Cristo lhe mostre que você não precisa viver tentando provar seu valor para o mundo. Você já é profundamente amado por Deus. E quando descobrimos quem Jesus é, começamos também a descobrir quem somos nós e para que fomos chamados.
Frei Augusto Luiz Gabriel
