Maria nos ensina o caminho para o céu

Quando pensamos no céu, é comum imaginarmos algo distante, reservado para um futuro muito longe de nós. Mas a Solenidade da Assunção de Nossa Senhora nos mostra que a eternidade começa a ser construída nas escolhas que fazemos todos os dias.

O Evangelho deste domingo não apresenta Maria sendo elevada ao céu. Em vez disso, mostra uma jovem que sai apressadamente para visitar sua prima Isabel. Pode parecer uma cena simples, mas nela está o segredo de toda a vida de Maria.

Ela poderia ter permanecido em casa, admirando o grande mistério que acabara de viver ao receber o anúncio do anjo. No entanto, faz o contrário: coloca-se a caminho para servir.

Essa “pressa” de Maria não nasce da ansiedade, tão presente em nosso tempo. Ela nasce do amor. Quem leva Jesus no coração não consegue viver apenas para si. A fé verdadeira sempre nos impulsiona ao encontro do outro.


Quando Isabel a recebe, proclama uma frase que atravessou os séculos: “Bem-aventurada aquela que acreditou.” Maria é feliz porque confiou em Deus, mesmo sem compreender todos os caminhos que Ele lhe apresentava. Sua vida foi construída sobre a certeza de que vale a pena dizer “sim” ao Senhor.

Em seguida, Maria canta o Magnificat, um dos hinos mais bonitos da Bíblia. Em vez de falar de si mesma, ela reconhece que tudo é obra de Deus. Não busca aplausos nem reconhecimento. Sua alegria está em saber que o Senhor realiza grandes coisas na vida de quem se coloca em suas mãos.

É justamente por isso que a Igreja celebra hoje sua Assunção. Deus glorifica aquela que passou a vida inteira glorificando a Ele.

Essa festa também fala diretamente aos jovens de hoje.

Vivemos em uma cultura que mede o valor das pessoas pelo número de seguidores, pela aparência, pelo sucesso ou pelo reconhecimento. Maria mostra outro caminho. A verdadeira grandeza não está em aparecer, mas em servir. Não está em buscar o primeiro lugar, mas em colocar Deus no centro da vida.

A Assunção nos lembra que nossa história não termina nesta terra. Deus nos criou para a vida plena, para a comunhão eterna com Ele. Maria já alcançou essa meta e, por isso, torna-se sinal de esperança para todos nós.
Talvez você ainda esteja descobrindo qual é o seu caminho, sua vocação ou seus sonhos. Olhe para Maria. Ela também era jovem quando disse seu “sim”. Não tinha todas as respostas, mas tinha confiança suficiente para dar o primeiro passo.

Quem vive como Maria aprende que o céu não é apenas um destino futuro. Ele começa quando escolhemos amar, servir, confiar e fazer da nossa vida um reflexo da presença de Cristo no mundo.

Que, neste domingo, possamos repetir com Maria as palavras do Magnificat e fazer da nossa vida um canto de gratidão. Porque quem coloca Deus em primeiro lugar descobre que nenhuma escolha feita por amor é em vão.

Frei Augusto Luiz Gabriel, OFM

Deixe uma resposta