Recomeçar sempre é possível

Errar faz parte da vida. Todos nós carregamos arrependimentos, escolhas mal feitas e momentos que gostaríamos de apagar da memória. Às vezes pensamos que fomos longe demais, que Deus deve estar cansado de nós ou que não existe mais um novo começo.

Mas o Evangelho deste domingo e a celebração do Perdão de Assis, na pequena Igreja de Nossa Senhora dos Anjos (Porciúncula), anunciam exatamente o contrário: Deus nunca fecha a porta da misericórdia para quem deseja voltar.

No Evangelho, Jesus multiplica os pães e os peixes para uma multidão faminta. Antes de realizar o milagre, Ele vê a necessidade das pessoas e sente compaixão. Não permanece indiferente diante da fome daquele povo. Seu coração se deixa tocar.

Esse gesto revela quem Deus é. Antes de olhar para aquilo que nos falta, Ele olha para nós com amor. Antes de cobrar, Ele acolhe. Antes de condenar, Ele oferece vida.

Foi essa mesma experiência que marcou profundamente São Francisco de Assis.

Apaixonado pela misericórdia de Deus, Francisco pediu ao Senhor um presente muito especial: que todos aqueles que visitassem, com fé e coração arrependido, a pequena Igreja de Nossa Senhora dos Anjos pudessem experimentar plenamente o perdão divino. Nascia assim o Perdão de Assis, um convite para recomeçar, deixando para trás o peso do pecado e redescobrindo a alegria da graça.

É bonito perceber que Francisco não pediu riquezas, privilégios ou reconhecimento. Pediu que as pessoas encontrassem aquilo de que mais necessitam: o amor misericordioso de Deus.

Talvez hoje a nossa maior fome não seja de pão, mas de paz. Paz para o coração, para a consciência, para os relacionamentos e para a própria história.

Assim como Jesus alimentou a multidão, Ele continua querendo alimentar nossa vida com sua graça. E assim como na Porciúncula as portas da misericórdia permanecem abertas, também o coração de Deus continua aberto para acolher quem deseja recomeçar.

O Perdão de Assis nos recorda que ninguém é definido pelos seus erros. Somos definidos pelo amor de Deus, que sempre acredita na possibilidade de uma vida nova.

Neste domingo, vale a pena fazer um exercício sincero: de que eu preciso me libertar para viver com mais alegria? Talvez seja o peso de uma culpa, uma mágoa antiga, um pecado não confessado ou a dificuldade de perdoar alguém.

A boa notícia é que Deus continua repetindo, todos os dias: a porta permanece aberta. Basta ter coragem de atravessá-la.


Frei Augusto Luiz Gabriel, OFM

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