Neste dia 16 de julho comemoramos mais um aniversário da aparição da Virgem Maria a São Simão Stock em seu quarto (cela) em Cambridge, na Inglaterra, ocorrida no ano de 1251. Muito se fala de Nossa Senhora do Carmo… mas é bem fácil de nos perguntarmos: “não era a aparição no Monte Carmelo? Qual o motivo de se chamar Nossa Senhora do Carmo?”
Vamos por partes, então. A palavra “Carmelo” vem da palavra em hebraico “Karmel”, que significa jardim, campo, vinha (karm) do Senhor (el); porém, na Língua Portuguesa, também é conhecida em sua forma contraída “Carmo”. A fim de podermos nos localizarmos geograficamente, na encosta norte do Monte Carmelo está embasada a cidade de Haifa, que ainda hoje é conhecida por ter uma população composta de judeus e árabes que convivem pacificamente – o que, sincera e particularmente, entendo como um ponto de extrema maturidade. É a terceira maior cidade de Israel, contando com mais de 260.000 habitantes.
Mencionadas a etimologia e a localização geográfica, vamos ao objetivo histórico. Conforme matéria do site Vatican News, “O Primeiro livro dos Reis narra que o profeta Elias, se reuniu, no Monte Carmelo, com alguns homens, para defender a pureza da fé e vencer um desafio contra os sacerdotes do deus Baal. Desde aquela experiência, formaram-se grupos de monges, que se inspiravam no profeta Elias, seguindo a regra de São Basílio: há indícios sobre isto, no século XI, quando os Cruzados chegaram ao local. Por volta de 1154, o nobre francês, Bertoldo, ao chegar à Palestina, com seu primo Aimério de Limoges, Patriarca de Antioquia, retirou-se para a montanha, onde decidiu reunir os eremitas para viver como cenobitas. Os religiosos construíram uma igrejinha, entre suas celas, dedicada à Virgem. Assim, foram chamados Irmãos de Santa Maria do Monte Carmelo. Desta forma, o Carmelo adquiriu seus dois elementos característicos: referência a Elias e união a Maria Santíssima. Ali, segundo a tradição, a Sagrada Família se hospedou ao voltar do Egito.”
São Simão Stock nasceu em 1165 em Kent, na Inglaterra, no seio de uma família nobre; aos doze anos, se retirou de sua família para viver como eremita dentro de um tronco (daí, o nome “Stock” – tronco); sacerdote, foi eleito prior geral dos Irmãos Carmelitas em um período onde a Ordem do Carmo se adaptava à realidade européia (já que a Ordem nasceu na Terra Santa), lugar onde encontrou muita resistência e até perseguição; porém, jamais deixou de se entregar à sua missão e de cultivar seu amor filial à Mãe de Deus.
Segundo o site Minha Biblioteca Católica, “Na noite de 16 de julho de 1251, São Simão Stock encontrava-se em profunda oração, recolhido em sua cela no convento de Cambridge. Como era de seu costume, suplicava à Santíssima Virgem pela proteção da Ordem do Carmo, então duramente perseguida e ainda em processo de afirmação na Europa. Enquanto entoava com fervor a oração Flos Carmeli — da qual ele mesmo é autor —, a Mãe de Deus apareceu-lhe cercada de luz celestial e portando em suas mãos o escapulário marrom. Segundo os relatos tradicionais, Nossa Senhora dirigiu-lhe palavras de consolo e promessa: “Caso estejas a portar este escapulário no momento de teu último suspiro, terás o privilégio de ter uma morte piedosa – tu e todos os carmelitas – não incorrendo em risco de padecer das chamas eternas”. Essa promessa, conhecida como “privilégio do escapulário”, transformou profundamente a devoção carmelita e o modo como os fiéis passaram a compreender a intercessão de Maria. Conforme registra o livreto da MBC: “Hoc erit tibi et cunctis Carmelitis privilegium, in hoc habitu moriens salvabitur”. Fontes literárias sobre a espiritualidade carmelita afirmam que, ao aparecer vestida com o hábito da Ordem e ao entregar pessoalmente o escapulário, a Virgem Santíssima confirmava de modo visível sua aliança espiritual com os filhos do Carmelo. O escapulário, que antes já era usado como parte do hábito religioso, passou a ser reconhecido como sinal sacramental de pertença e de proteção materna. A partir desse acontecimento, a devoção ao escapulário espalhou-se por toda a cristandade. Muitos leigos, inclusive nobres e reis, passaram a vesti-lo, confiando na promessa da Mãe do Carmelo. Com o tempo, o pequeno escapulário de pano tornou-se símbolo visível da consagração pessoal à Virgem Maria e de sua assistência espiritual, especialmente na hora da morte.
Caso você use um escapulário – porque você acha bonito ou porque alguém lhe deu de presente – e não conhecia este relato, passou a ter mais um motivo (cristão) para usá-lo com alegria em seu pescoço: ele representa uma fonte de amor materno que só o Céu pode explicar.
Viva Nossa Senhora do Carmo!
Leila Denise
