“Você foi fiel no pouco; eu lhe confiarei muito mais” (Mt 25,23)
Alguns milhões são os batizados como Antônio pelo Brasil afora – talvez, só menos numerosos que os chamados José ou os chamados João –, talvez até mais numerosos que os inúmeros Francisco existentes mundo afora…
Cresci ouvindo muito sobre a grandeza do franciscano Santo Antônio; era aquele o santo que minha avó paterna (que, reza a lenda, “seqüestrava” o menino do seu colo ou o colocava no freezer após suas orações) e meu avô paterno suplicavam a intercessão para que fossem atendidos seus pedidos.
Esta é uma boa oportunidade para conhecermos um pouquinho mais sobre ele…
Santo Antônio – tanto faz se o chamamos de Lisboa (cidade portuguesa onde nasceu) ou de Pádua (cidade italiana onde muito permaneceu), pois a figura humana foi a mesma –, nascido Fernando, era da nobreza de Portugal; porém desde menino, sentiu-se chamado à vida espiritual.
Ingressou no Convento dos cônegos de Santo Agostinho, próximo a Lisboa, onde permaneceu por mais de dois anos, e depois pediu transferência para o mosteiro de Santa Cruz, em Coimbra. Conheceu os frades franciscanos através de alguns que se hospedaram naquele mosteiro e acabaram sendo martirizados no Marrocos, sendo seus corpos devolvidos a Coimbra. O jovem Fernando foi tocado por aquele exemplo de martírio missionário, e decidiu se fazer franciscano, depois de já ter sido ordenado sacerdote. Ao entrar para o Convento de Olivais, adotou o nome de Antônio, em homenagem a Santo Antônio do Deserto (também conhecido como Santo Antão do Egito).
Partiu para o Marrocos com o intuito missionário, mas foi acometido por uma enfermidade, que fez com que voltasse para sua terra natal.
Após o sermão aos candidatos das ordenações sacerdotais de setembro de 1222 em Forli, após insistência do superior, passou a atuar como pregador na Romagna, além de ensinar teologia, tornando-se o primeiro professor de teologia da Ordem Franciscana. Ainda que tenha vivido apenas 36 anos e sua atuação na Itália não tenha durado uma década, Santo Antônio faleceu na sexta-feira 13 de junho de 1231, sendo proclamado Santo em 30 de maio 1232, apenas onze meses após sua morte. Em 1946, a Igreja proclamou-o “doutor da igreja universal”, com o título de Doctor Evangelicus.
Uma das passagens mais peculiares do “Martelo dos Hereges” foi provar a um herege que negava a presença real de Cristo na Eucaristia: fez com que uma mula, que estava em jejum há três dias e que ignorou seu alimento preferido, fosse em direção a Jesus Eucarístico e se prostrasse diante da hóstia consagrada, fazendo que se convertesse não só o herege, mas também sua família e muitos dos que ali estavam presentes.
Santo Antônio tinha especial apreço a Jesus Infante – tanto que normalmente, ao representar o santo, também encontramos junto dele a imagem do Menino Jesus, geralmente sobre um livro, e com lírios –, levando-nos a pensar que a pureza de seus sentimentos e ensinamentos eram tamanhos, a ponto de poderem compartilhar a pureza do Menino Rei do Universo, em pensamentos e ações.
Convido a todos para refletirmos duas frases atribuídas a este Santo, ainda tão atual quanto a pobreza que escolheu desposar, a exemplo do “Poverello”:
“Jovem é aquele que é capaz de ajudar”.
“Quanto mais profundamente lançares o alicerce da humildade, tanto mais alto poderás construir o edifício”.
Em tempos de casebres e arranha-céus, podemos ajudar a construir um mundo melhor, não acham?
Viva Santo Antônio!
Leila Denise
