Geicy Kelly e sua experiência como franciscana atuante na Igreja

Para falar sobre a experiência como jovem franciscana atuante na Igreja, o “Em Fraternidade” deste mês de setembro recebe com muita alegria Geicy Kelly. Natural de Duque de Caxias (RJ), baixada fluminense, Geicy relata que sempre foi muito presente em sua comunidade local, que tem como padroeiro São Francisco de Assis.

Conforme me abria para a espiritualidade franciscana mais me questionava sobre meu modo de vida. Não há como trilharmos um caminho sem nos deixar impactar por ele. Francisco me apresentou uma nova forma de ser jovem, que me faz questionar sobre como me relaciono comigo, com o próximo e com o mundo”, revela.

Para ela, a espiritualidade longe da Igreja está incompleta. “Ambas me sustentam e me fazem ser quem sou”, ressaltou.


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Paz e bem, queridos irmãos! Me chamo Geicy Kelly, moro em Duque de Caxias (RJ), sempre fui muito atuante em minha comunidade base, a Igreja São João Batista, e gostaria de compartilhar com vocês um pouco sobre alguns dos meus questionamentos de vida e como Francisco de Assis tem me ajudado.

Fraternidade Chicão (2021). Foto: Acervo Pessoal

Faço parte da Paróquia São Francisco de Assis, e sempre fui rodeada pelo carisma franciscano. Aqui nós realizamos a Semana Franciscana, e conforme eu participava e atuava em encenações sobre a vida de Francisco e seu Trânsito, pude ir amadurecendo o que de fato eu queria para minha vida. E foi a partir destas iniciativas que em 2014 formamos a Fraternidade Chicão, parte da Jufra do Brasil em nossa paróquia.

Conforme me abria para a espiritualidade franciscana mais me questionava sobre meu modo de vida. Não há como trilharmos um caminho sem nos deixar impactar por ele. Francisco me apresentou uma nova forma de ser jovem, que me faz questionar sobre como me relaciono comigo, com o próximo e com o mundo. Sempre rezava a oração atribuída a ele e rogava a Deus para ser um instrumento em suas mãos, mas de fato estava disponível? Então, passei a me observar melhor e ter a convicção de que a minha simples presença precisava ser um sinal de Deus nos lugares, eu precisava exalar Jesus, mesmo sabendo das minhas falhas e limitações.

Oração do Santo Terço na Igreja São João Batista (2021). Foto: Acervo Pessoal

A partir desse momento começou a ecoar um outro questionamento: é possível conciliar a vida em fraternidade com tudo o que faço na Igreja? Preciso renunciar ao que eu faço? Bom, venho de uma família católica atuante na comunidade e cresci desta forma. Sou catequista há 11 anos, tesoureira, faço parte da equipe de liturgia, trabalho com jovens, e não queria renunciar a essas coisas, pois entendia que isso também é ser Igreja; é contribuir para o Reino de Deus, e para mim não era pesado, mas este questionamento me incomodava. Até que em um encontro com a fraternidade, Frei Gabriel Dellandrea falou: “Não se esqueçam que Francisco era católico”, e isto ecoou em mim de uma forma muito profunda, pois para mim a espiritualidade longe da Igreja está incompleta; ambas me sustentam e me fazem ser quem sou.

Vivendo na Baixada, e principalmente em meio a pandemia da Covid-19, percebo o quanto somos necessários enquanto Igreja na vida das pessoas. Mas não me refiro a ficar pregando em vários lugares diferentes, mas sim a necessidade de ser ouvido, alimento e presença viva. Hoje, em minha comunidade que já possui 49 anos, conseguimos retornar com o Projeto de Solidariedade, onde arrecadamos alimentos para famílias necessitadas, e o outro projeto em que juntamos tampinhas de garrafas e lacres de latinha, para ajudar na compra de cadeiras de rodas. A Igreja está viva e precisa se doar por inteiro como fez São Francisco e Jesus de Nazaré.

Queria trazer mais um questionamento que passei a fazer depois de conhecer melhor Francisco: como posso ajudar o mundo enquanto profissional? Na época estava me formando em Química Industrial e buscava trabalhar diretamente na indústria. Passei a refletir melhor e buscar formas mais concretas de responder a minha questão. Hoje formada, estou finalizando o mestrado em Química e venho trabalhando com produtos naturais, de maneira sustentável. Todo esse questionamento me fez ingressar em Teologia na Universidade São Francisco (USF), para compreender melhor a fé que eu professo e como posso unir essas formações profissionais. Nossa vida tem um propósito e por mais que não seja fácil encontrá-lo não podemos nos estagnar.

Francisco de Assis é jovem, desprendido, decidido, autêntico, caridoso e católico. Ele imitou tanto a Cristo que recebeu os estigmas do Crucificado. É possível sermos cristãos católicos franciscanos atualmente. Fácil não é, mas quando caminhamos em fraternidade sabemos que há outros buscando os mesmos ideais que nós e que estão ali para quando precisarmos. Todo o processo que passei e ainda passo foi vivido em comunhão com meus irmãos da Fraternidade Chicão. É um crescimento mútuo.

Um fraterno abraço. Paz e Bem!

Geicy Kelly, jovem franciscana!

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