“Cada um colherá aquilo que tiver semeado” (Gl 6,7)

Neste setembro de 2021, mês da Bíblia, a CNBB nos convida a lermos a Carta de São Paulo aos Gálatas.

Como sou uma pessoa com um grau considerável de curiosidade, especialmente para os assuntos que me interessam, não resisti e peguei a minha bíblia. Por mais que participe da Igreja há anos, nunca fui alguém com afeto à “leitura pela leitura” da Bíblia… Porém, ao estudar a 1ª Carta de São João, com a OFS, através dos estudos propostos em setembro de 2019, me dei conta do tamanho da riqueza das palavras às quais podemos ter acesso, se fizermos uma leitura contextualizada e detalhada.

Lendo, há pouco, todo o livro mencionado (é curto, são apenas seis capítulos, vale a pena), a frase acima não me passou despercebida – ainda que o tema do estudo seja “Todos vós sois um só em Cristo Jesus” (Gl 3,28d) – ; apesar de parecer óbvia, nos traduz muito de nossa realidade.

Impossível esquecer minha mãe, ao me aconselhar a fazer um retiro (a opção era um “domingão” com meu grupo de jovens, isso nos meus dezoito anos): “Minha filha, ninguém dá aquilo que não tem”. Como eu poderia oferecer algo a alguém sem me reabastecer? Não dominava (e domino muito menos hoje…) nada do mundo que me cerca, para ter a pretensão que tinha poderes especiais e energia ilimitada… Como podia falar de um Deus sem aproximá-lo da minha convivência?

São Francisco de Assis, usando uma retórica um pouco diferente, porém com o mesmo sentido, nos lembra que “Para pregar a Paz, primeiro você deve ter a Paz dentro de você.”

Ninguém planta bananeira para colher mangas; ninguém planta um arrozal para colher trigo; ninguém planta pinheirais para colher uvas – já diz o Evangelho, em mais de uma citação, se conhece o fruto pela árvore. Então, se eu quiser colher Paz, tenho que semear Paz; se quero colher diálogo, tenho que preparar o terreno para que o diálogo possa florescer; se quiser que o mundo consiga melhorar, primeiramente eu preciso me tornar melhor a cada dia, a cada ato, a cada pensar.

Já deve ser perceptível que, assim como procuro ancorar minhas ideias nos ensinamentos francisclareanos, também os faço através das falas do Francisco dos dias de hoje – que pode nos dar uma referência atualizada sobre os ensinamentos dos santos e da Igreja:

“Naquele dia da colheita final o grande juiz será Jesus, Aquele que semeou a boa semente no mundo e que se tornou Ele mesmo ‘grão de trigo’, que morreu e ressuscitou. No final, seremos julgados com a mesma medida com a qual julgamos: a misericórdia que usamos para com os outros será usada também conosco”. (Angelus, 13/06/2021)

Ninguém chegará “às portas do Céu” e prestará contas sobre o que o vizinho, o amigo, o conhecido, o cônjuge fez. Cada um de nós prestará contas sobre os seus atos, seus pensamentos, seus gestos – ou a falta deles…

Precisamos ser bastante específicos e persistentes conosco mesmos para que nossas atitudes sejam realmente fiéis ao que somos e pensamos – e, obviamente, sem esquecer o que queremos ser –; se nos vemos como pessoas perfeitas, nossas atitudes, a cada dia, a cada gesto, a cada pensamento, devem traduzir esse nosso retrato (e ser perfeito é cansativo, exaure as forças, nos leva à loucura, porque a perfeição é diferente para cada ser); porém, se nos vemos como seres humanos que buscam exercitar os ensinamentos de Cristo e sua Mãe Maria, tendo como exemplos o Pai Seráfico e a Mãe Clara, ainda que precisemos iniciar cada vez do chão, teremos por objetivo a divulgação do Evangelho através do Amor e da Misericórdia, fazendo que os frutos de nossas ações sejam compatíveis com quem as gera (nós mesmos), com coerência, para o louvor e a grandeza do Deus que a todos nos criou.

Paz e bem a todos.

Abraço fraterno, Leila Denise !

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