25 de agosto, dia de lembrar São Luís de França, patrono da OFS

Um pouco de história sempre ajuda a compreender, através do passado, o que acontece no presente e a projetar o futuro.

Na nossa vida de cristãos, observar e/ou estudar a vida dos santos, que foram considerados por um papa modelo de observância dos mandamentos de Cristo, por ser, além de uma fonte importante de inspiração, uma motivação para buscarmos a nossa santidade.

Como membra professa da Ordem Franciscana Secular, acredito que divulgar um pouco mais sobre a vivência da fé por São Luís de França (ou Luís IX, como os livros de história a ele se referem), patrono da nossa Ordem, deva ser um bom ponto de partida. Já alertando que não há como deixar este texto do tamanho dos anteriores sem deixar de abordar algo que eu julgue importante…

Luís nasceu no castelo de Poissy, a 30 km de Paris, em 25 de abril de 1215, sendo o quarto filho de Luís VIII e Branca de Castela. Com a morte do pai, assumiu o trono aos 12 anos (em 08/11/1226), tendo a mãe como regente e principal influência nos assuntos da fé. Após atingir a maioridade, casou-se com Margarida de Provença.

Durante seu reinado, proibiu os jogos de azar, a prostituição e as blasfêmias. Punia duramente, assim, como o “duelo judiciário”, ficando conhecido pelo notório senso de justiça, bem como pelo amor e especial zelo com os pobres. Ainda, além de fundar hospitais e mosteiros, adquiriu relíquias relacionadas com a crucificação de Cristo (como a coroa de espinhos e uma fração da cruz, adquiridas do imperador de Constantinopla) e, para armazená-las, mandou construir a Saint-Chapelle, com muitas luzes e vidros coloridos, no coração de Paris.

Porém, suas grandes obsessões eram a pacificação de conflitos, especificamente entre França e Inglaterra, e a conversão dos muçulmanos ao cristianismo. Isso o levou a organizar e liderar, após grave enfermidade, a sétima Cruzada, partindo em 1248. Ficou preso pelos egípcios por seis anos, sendo pago por ele um enorme resgate. Como consequência desse período de convivência, os muçulmanos o apontaram como “o sultão justo”. Não retornou imediatamente para a França, permanecendo na Síria para a reconstrução de uma fortaleza até a morte de sua mãe, em 1254.

Co-fundador da Universidade de “Sorbonne” (1257), conviveu ativamente com São Boaventura e São Tomás de Aquino. Doou ainda, a sua irmã Isabel, as terras de Longchamp para a construção de uma abadia para as seguidoras de Santa Clara. Costumava conceder audiências debaixo do bosque de Vincennes.

Criticado pela liberalidade com os pobres, certa vez declarou: “Prefiro que meus gastos excessivos estejam constituídos por luminoso amor de Deus, e não por luxos, para a vã glória do mundo”.

Ainda que passados muitos anos, não desistiu da ideia de converter os muçulmanos; assim, ajudou a organizar e partiu com os filhos e o rei Ricardo da Inglaterra para a oitava e última Cruzada em julho de 1270. Morreu de tifo, no cerco à cidade de Túnis, no dia 25 de agosto de 1270. Suas entranhas foram transportadas para a Abadia de Montréal, na Sicília, a pedido de seu irmão Carlos; seu corpo jaz na Abadia de Saint-Denis, em Paris.

Membro da Ordem dos Terciários Franciscanos (antigo nome da OFS), modelo de monarca cristão e um dos primeiros leigos a ser canonizado (tendo o processo iniciado apenas dois anos após sua morte devido aos inúmeros milagres ocorridos próximos a seu túmulo), foi o ato realizado pelo papa Bonifácio VIII, em 11 de agosto de 1297. Normalmente, é representado junto aos seguintes símbolos: a Cruz, a mão da Justiça e o cíngulo dos Terciários Franciscanos.

Somente esta biografia, para a maioria das pessoas, seria suficiente para considerá-lo um bom exemplo; para mim, porém, o testamento que ele deixou a seu filho e herdeiro é o seu grande legado (que transcrevo abaixo), com conselhos que, ainda que exista uma grande distância temporal entre a sua escrita e os dias de hoje, continuam atuais e pertinentes:

“Meu filho: a primeira coisa que te recomendo é que ames a deus de todo o teu coração e prefiras sofrer tudo, até a própria morte, a cometer um pecado mortal. Se Deus te mandar contrariedades, aceita-as com gratidão, convencido de que as mereceste. Se tudo correr segundo teus desejos, não te deixes levar pelo orgulho. Não se deve abusar dos benefícios e os transformar em armas de malícia. Confessa-te frequentemente e escolhe um confessor prudente e virtuoso, que te possa ser guia e que tenha coragem bastante para corrigir tuas faltas e castigar teus pecados. Assiste à Santa Missa com muita devoção. Sê caridoso para com os pobres e socorre-os sempre que puderes. Respeita as boas tradições entre o povo e persegue os abusos. Não sobrecarregueis teu povo com duros e múltiplos impostos. Escolhe para tua companhia homens direitos e prudentes, leigos e sacerdotes, e foge dos círculos dos maus. Ouve de bom grado a palavra de Deus e conserva-a cuidadosamente em teu coração. Sê amigo da oração. Ama tua honra e sê amigo do bem o inimigo do mal. Rende graças a Deus pelos seus benefícios. Bens alheios, faze-os chegar às mãos de seu legítimo dono. Procura conservar e estabelecer a paz entre teus súditos e zela pelos bons costumes entre o povo. Trata de dar a ele bons juízes e funcionários e fiscaliza bem o procedimento deles, a fim de que não haja lugar para vícios, parcialidade, fraude e imoralidade. Cuida para que na corte as despesas se limitem ao indispensável. Manda rezar missas pelo repouso de minha alma e manda rezar nessa intenção. Meu filho: dou-te a bênção que um pai pode dar a seu filho.”1

Deixo de comentar, item a item – o que, em outra oportunidade, certamente retomarei – para encurtar este momento (já bem maior que o usual), delegando a cada um a oportunidade, neste ato, de refletir individualmente sobre conteúdo tão rico sobre a vivência da pobreza…

Espero, como mãe, que eu possa através do meu exemplo, deixar ensinamentos tão corretos e úteis aos meus filhos, quanto estes que São Luís de França deixou ao seu herdeiro… E que possamos lembrar a nossos representantes, hoje não mais monarcas, mas escolhidos pelo voto, estes mesmos ensinamentos, rogando que pela intercessão de São Francisco de Assis, Santa Clara e São Luís de França, eles caminhem em busca de uma conduta que promova, a cada dia mais, o bem comum do povo que os elegeu.


BECKHÄUSER, Frei Alberto (organizador). DEVOCIONÁRIO FRANCISCANO. Ed. Vozes, Petrópolis (RJ). 4ª edição, 2011, 2ª Reimpressão. P. 385-386

Paz e bem a todos.

Abraço fraterno, Leila Denise !

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