Santo Antônio, meu bispo

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“Eu, Frei Francisco, desejo saúde a Frei Antônio, meu bispo. Apraz-me que ensines a sagrada teologia aos meus irmãos, contanto que, nesse estudo, não extingas o espírito de oração e devoção, como está contido na Regra” (Carta a Santo Antônio). 

Hoje, dia 13, comemoramos o dia de Santo Antônio, um dos santos mais populares do Brasil, e sua fama se deve por ser considerado o “santo casamenteiro”. Mas, gostaria aqui de falar sobre outra fama que Santo Antônio tem: o dom da sua pregação. 

Na carta que São Francisco escreve a Santo Antônio, podemos já logo de início perceber que Francisco chama Antônio de “meu bispo”. Parece estranho inicialmente, pois Antônio não foi bispo. Mas, o título de “bispo” era usado na Idade Média para indicar os pregadores autorizados da sagrada escritura. 

Como assim? 

Na Idade Média, não eram todos os padres que eram autorizados a pregar, isso era privilégio de alguns que estudavam a sagrada teologia. Sendo assim, aqueles padres que tinham uma boa oratória, eram convidados a estudar a sagrada teologia, e aí os bispos davam autorização a esses padres de serem pregadores. Por isso, vemos em várias outras passagens das fontes franciscana Francisco dizendo que  os frades que tinham de ter a autorização do bispo para pregar.

Desse modo, antes de um frade pregar – na praça, nas ruas e até mesmo nas igrejas – tinha que pedir autorização do bispo. E se o bispo autorizasse, ele era chamado de frade pregador. Antônio era um desses, um frade pregador, como Francisco coloca aqui, um “bispo”, porque ele tinha recebido a autorização de pregar. Só que Antônio se destacou tanto por sua pregação que Francisco convida ele para além de pregar, ensinar também a sagrada teologia aos outros frades. Entretanto, a única recomendação que Francisco colocou foi: não extingas o espirito de oração e devoção. 

Mas o que Francisco quis dizer com isso? 

Segundo o dicionário: morrer, aniquilar, destruir, apagar, dissolver e gastar. Sendo assim, a recomendação é: se o estudo da sagrada teologia matar o espírito de oração e devoção, pare. Mas, é possível isso? O estudo de teologia, ou da sagrada escritura (Bíblia), matar o Espírito de Oração e Devoção? Sim, é possível. Como? Quando queremos manipular a Sagrada Bíblia, Deus ou a Igreja para o nosso proveito próprio, ou para justificar alguma coisa que me interessa. Quando isso acontece, o Espírito e a Devoção já morrem. 

A palavra de Deus é clara, ou como diz o profeta Isaías, ela é como a chuva. E aqui vem uma das coisas que mais acho lindo tanto na vida franciscana, como na vida cristã em si: o desapego. Quando deixamos Deus ser Deus em nossa vida em nossa missão, o Espírito de Oração e devoção se faz presente. Quando deixamos a mão de Deus guiar a nossa existência, a Oração e Devoção nascem. 

Um místico da Idade Média, Mestre Eckhart, diz assim sobre o desapego: “Nós já atuamos em uma história que tem por escritor Deus”, ou seja, a história da nossa vida não é nossa, é de Deus. Se deixarmos essa teologia fazer parte da nossa vida, se deixarmos essa Igreja habitar em nós, a Oração e a Devoção será verdadeira, pois “já não sou eu quem vivo, mas é Cristo que vivem em mim”. 

Paz e Bem! Santo Antônio, rogai por nós!

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