SÓ AMO AQUILO QUE COMPREENDO

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No Evangelho deste domingo, somos colocados diante de uma frase muito forte e provocativa: “Se alguém vem a mim e tem mais amor ao pai, à mãe, à mulher, aos filhos, aos irmãos, às irmãs e mesmo a própria vida do que a mim, não pode ser meu discípulo” (Lc. 14,26). A princípio, tal pensamento nos parece muito estranho. Afinal, a família e nossos amigos são as pessoas que mais amamos. E Jesus nos pede para amar menos eles para poder nos tornar seus discípulos? De que modo faremos isso?

Por algumas vezes, deparei-me com essa passagem e consegui compreender, mas não consegui colocar em prática, pois é muito difícil compreender o que, de fato, realmente significa “amar menos” aos nossos pais, filhos e amigos para poder nos tornar discípulos de Cristo. Bom, Santo Agostinho tem uma frase incrível: “Só amo aquilo que compreendo e só compreendo aquilo que amo”. Ou seja, quanto mais percebo aqueles mais próximos e mais queridos como filhos de Deus, que Ele se faz imagem e semelhança neles, consigo amar a Deus. Amá-Lo é amar as pessoas a nossa volta. Deus não é um abstrato, mas algo concreto em nossa vida. Tudo o que temos de concreto em nossa vida é obra de Deus. Portanto, se amo amo aqueles que me rodeiam porque esses são filhos, imagem e semelhança de Deus, é Ele quem leva a amar as pessoas, porque o amor a Cristo é tão grande que as pessoas passam a ser reflexos desse amor em minha vida. Imaginemos por um momento a nossa mãe, que cuidou de nós, nos alimentou, nos nutriu, nos ensinou a andar a falar etc… quer demonstração do amor de Deus maior que essa? Olhe para seus filhos, uma vida que depende de você a todo o momento, quer exercício de amor maior que esse, onde Deus nos ensina a amar? Tudo é amor a Deus, por Deus e em Deus.

Não há como esquecer aquele célebre passagem de São Francisco quando ele fica nu em praça pública e diz: “Até hoje chamei de pai Pedro Bernardoni, a partir de agora será Pai-Nosso que estais nos céus”. Teria Francisco esquecido de seu pai? Teria deixado de amar? Não. Francisco entendeu que o amor que ele sentia e tinha pelo seu pai, tinha como finalidade o próprio amor a Deus. Somente iremos compreender isso se amamos e somente amaremos assim, se compreendemos.

Paz e Bem!

Fraternalmente, Frei Jhones

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