Um com Deus

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O evangelho desse final de semana me fez refletir uma frase lida por mim, há alguns anos atrás, em uma publicação no Facebook, que dizia o seguinte: “Têm pessoas que são tão pobres que a única riqueza que possuem é o dinheiro”. Tal citação me chocou quando li… Passei a utilizá-la em várias ocasiões na minha vida. E a mesma mensagem nos é transmitida por Jesus nesta passagem do Evangelho: “Atenção! Tomais cuidado contra todo tipo de ganância, porque, mesmo que alguém tenha muitas coisas, a vida de um homem não consiste na abundância de bens” (Lc 12, 15). Assim, podemos concluir que a vida do ser humano não se resume somente na riqueza material. 

Porque ter posses não é o problema. Ter uma casa, um carro, algo de valor ou até mesmo ser rico (financeiramente falando) nada disso é errado! No entanto, torna-se um problema quando esses bens passam a ser nós mesmos, ou seja, quando acabamos transformando as coisas matérias em algo tão humano que nos apossamos delas como se fizesse, parte do nosso corpo, da nossa vida. Por exemplo: eu tenho um carro, mas eu o estimo tanto, que se acontece alguma coisa a ele, é quase como se esse algo estivesse acontecendo comigo, pois o carro e eu somos uma mesma coisa. E é essa a abundancia a que Jesus se refere: o apego. E não é qualquer tipo de apego, mas aquele que resulta em uma inversão de papeis entre o dono e o objeto. Diante dessa reflexão, também podemos observar como Cristo finaliza esse evangelho de maneira ainda mais desafiadora: “quem junta tesouros para si mesmo, mas não é rico diante de Deus”… O que seria ser rico diante de Deus? É o oposto do que estávamos dizendo acima. Por um lado, se o apego me torna um com a coisa – e me torna um acumulador de bens –, ser rico diante de Deus é ser um com Ele. Como Jesus nos diz em outra passagem, “Eu e o Pai somos um”, essa é nossa meta final: ser um com Deus, pois, ou seremos um com as coisas ou um com Deus. E a decisão cabe a cada um de nós.

Há um título que se dá a Francisco de Assis que, para mim, é um dos mais lindos: “Francisco, o homem feito oração”. Quer riqueza maior do que essa? Ser um com Deus a ponto de que aquilo que Francisco rezava era aquilo que Francisco era. Não havia separação entre a vida de Francisco e a vida de oração, oração e ação eram uma coisa só. Eis a verdadeira riqueza irmãos, transformar-nos em um só com Deus, onde todas as coisas que nós fazemos e realizamos não são somente o “eu”. Mas, como diz São Paulo, “É Cristo que vive em mim”, porque “Nele nós vivemos, nos movemos e existimos”, fixemos o nosso olhar naquilo que é a nossa maior riqueza: Jesus.

Paz e Bem!

Fraternalmente, Frei Jhones

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