Nossos moldes

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Nesse primeiro Domingo da Quaresma, somos convidados a refletir sobre as tentações de Jesus no deserto. Porém antes mesmo de falar das tentações, gostaria de começar falando do próprio deserto. Temos a grande história do povo de Israel que durante 40 anos caminhou pelo deserto em busca da terra prometida – Canaã – e durante esses longos anos várias histórias e embates aconteceram para que esse povo pudesse conquistar o lugar que fora dado por Deus. Foi nesse deserto que eles foram alimentados pelo Maná, se curaram das picadas da serpente, se revoltaram contra Deus; podemos quase concluir que foi no deserto que esse povo se formou, se modelou, se construiu. Deste modo, partindo desse preambulo, podemos então dizer que o Deserto além de ser um local físico que conhecemos – por meio dos programas da NetGeo – é um lugar em que Deus modela seu povo e seu povo se deixa modelar por Deus.

Nesse domingo, o Evangelho coloca Jesus nesse deserto e é a partir desse deserto em que Jesus é “tentado”. Sendo assim, podemos ver nesse “deserto de Jesus” um molde de vida, com a qual Deus nos quer modelar. A quaresma então é uma proposta de revermos esse deserto, ou melhor, de atualizarmos esse “molde” de deserto. Imaginamos um molde de gesso para uma determinada escultura, com o passar do tempo, esse molde vai se estragando, se corrompendo, sendo necessário uma troca, ou uma limpeza profunda. A quaresma é a mesma coisa, é o tempo de revermos em nós esse molde, de limparmos, de arrumarmos. E para que essa arrumação seja bem feita, Jesus nos propõem 3 conselhos:

  1. ‘Não só de pão vive o homem, mas de toda a palavra de Deus’, ou seja, a própria Palavra –  Jesus Cristo – se faz alimento para nós, por isso se pede jejum, no sentido de procurarmos alimentar mais de sua vida, de suas ações e de seus projetos, de seu corpo. Para podermos alimentar-nos disso, necessitamos que se esvazie algo em nós, ou seja, não podemos colocar mais água em um copo que já está todo cheio de água. Nesse sentido a igreja pede-nos jejum.
  2. ‘Adorarás o Senhor teu Deus, e a Ele só servirás’. Com esse segundo conselho de Jesus, nos é proposto a prática da esmola. Esmolar-se é um doar-se, é um servir. Cada vez que eu sirvo a Deus  – seja nas práticas de celebrações, seja na ajuda fraterna dos irmãos, na escuta – eu estou me esmolando, me tornando a própria esmola. É fácil as vezes “doar” algo externo  – alimentos, roupas, dinheiro – mas doar a si mesmo, esmolar a si mesmo, doar de si é um proposta muito mais ousada.
  3. ‘Não tentarás o Senhor teu Deus’. Por fim temos esse último conselho de Jesus que diz respeito a nossa vida de oração. “Não tentarás” é um não duvidar da fé, mas também não barganhar. Quando confiamos em Deus, não podemos duvidar e também não podemos colocar condição – Deus me faz isso, que eu faço isso. Deus não é um banco. Entregar-se a oração ao ponto de ser como Francisco “um homem feito oração”. Ter uma vida orante é que todos os seus atos e palavra sejam oração.

Deixo aqui agora meu conselho quaresmal: faça uma boa revisão de vida e tente achar Deus no detalhes das coisas, pois Ele está a todo tempo nos moldando, mas as vezes os nossos moldes estão tão complicado que quase não se encaixam mais.

Paz e Bem!

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