Bem aventurados vós, os pobres

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“Naquele tempo, Jesus desce da montanha com os discípulos”. Com essa
frase inicia-se o Evangelho de domingo. O sentido profundo dessa frase, dá o sentido para todo o Evangelho. No antigo testamento, quando Deus falava com Moisés era sempre da montanha, tanto que a palavra “Javé”, alguns teólogos a traduzem como “Aquela que é”, no feminino, pois está no sentido de “A Montanha”. Nesse caso, Deus habita na montanha, ou seja, no local mais alto.

Não é atoa que Paulo nos convoca para “Buscar as coisas do alto”, pois é lá que Deus habita. Entretanto, o Evangelho começa dizendo que Jesus desce a montanha, ou seja, que Jesus “sai” dessa presença de Deus e volta para “um
lugar plano” (Lc 6,17b).

Esse gesto de descer a montanha é o gesto que todos nós cristãos fazemos, pois o sentido desse pequeno versículo é que há momentos em que nós Oração e momento de Ação e um não está desvinculado do outro, pois assim continua o Evangelho no versículo 20: “E [Jesus], levantando os olhos”, ou seja, para Jesus se dirigir aos seus discípulos ele levanta os olhos em direção da Montanha, para só assim poder dizer um dos mais belos texto do Evangelho que é as “Bem-aventuranças”.

“Bem aventurado vós, os pobres, porque vosso é o reino de Deus”, com esse versículo podemos fazer as duas análises de Ação e Contemplação. Ação: ser pobre. E aqui é importante dizer que Jesus não está dizendo essas palavras exclusivas para quem é pobre materialmente, não é nesse sentido, mas sim todos aqueles que estão desapegados, que estão sempre na disponibilidade, na sentinela, na audiência, obediência, na escuta, no “vigiai e orai”, esses sim é o pobre de fato, pois não tem nada de si, tem tudo de Deus. Sendo assim esses que na Ação de se desapegar de suas vontades próprias, podem sim Contemplar Deus no reino dos céus, e somente contempla a Deus que está na ação de se desapegar de tudo.

São Francisco foi assim, há diversas passagens em sua vida em que ele se retirava para o campo, as grutas, as montanhas e lá ficava na contemplação de Deus, mas não se esquecia nunca que tinha que voltar, que tinha que estar na fraternidade, pois lá também é espaço de Deus.

São Francisco não diferenciava também Ação e Contemplação, e tão pouco dizia que um era melhor que o outro ao ponto de dizer em sua regra “Depois que o Senhor me deu irmãos”, ou seja, depois que o Senhor deu irmãos a Francisco, ele entendeu bem que a sua contemplação se dava na ação de viver em fraternidade.

Nós franciscanos, que somos de espiritualidade, temos por inspiração divina viver a contemplação na ação fraterna e a ação fraterna nunca separada de uma vida de oração e contemplação de Deus.

Paz e Bem!

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