O CANTO DO CRIADOR

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Quando ouvimos uma música bem alta por muito tempo em um ambiente fechado, ao sairmos desse ambiente parece que estamos surdos, dá um certo incomodo em nossos ouvidos, as vezes muitos barulhos faz ficarmos surdos. No evangelho desse domingo, temos a presença de um surdo, que trouxeram a Jesus para que Ele o curasse. Não diz se este homem nasceu surdo ou se ficou surdo com o passar dos anos, mas a surdez desse homem me faz lembrar o papa Francisco quando certa vez, falando sobre a cultura da indiferença, quando ficamos “surdos diante da morte”, quando ficamos surdos diante de tantas coisas que acontecem em nossa volta, ou quando ficamos surdos quando tantas vozes e músicas altas nos atrapalham para fazermos a escolha por Cristo e seguir os seus passos.

Para romper essa surdez Cristo diz: “Éfata” que quer dizer abre. Mas antes de Jesus dizer isso, Ele toca em seus ouvidos e coloca um pouco de sua saliva em sua língua, pois como sabemos não existe uma pessoa que é surda e muda, mas sim que é surda e por não escutar não aprende a desenvolver a fala (somente com o curso essa pessoa pode se tornar oralista), mas qual o valor simbólico de Jesus tocar os ouvidos e colocar saliva na língua da pessoa? É que Cristo que nos toca a cada dia, está a todo momento nos tocando, seja por meio das pessoas, por meio da natureza, das coisas, mas a nossa surdez mesquinha por vezes não nos permite perceber o toque de Deus em nossa vida.

“Eu sou a água viva”, Jesus disse a samaritana, ou seja, a sua saliva é agua, é ele próprio que se coloca não somente na língua, mas na vida daquela pessoa, pois a partir do momento que Jesus nos toca, por suas mãos e por ele ser a água viva que nos sacia, cabe a nossa língua cantar os vossos louvores, como diz o salmista: “Abri meus lábios ó Senhor e minha boca anunciará vosso louvor”.

O toque do Cristo foi tão forte em Francisco, o “Éfata” de Jesus se deu tão avassalador nele, que Tomás de Celano – um biógrafo da vida de São Francisco – vai dizer que Francisco fica nu diante de todos, pois nada o prendia mais, nem as roupas. O desapego de Francisco foi tão estarrecedor que nada o prendia, ele estava todo aberto para colher o seu único bem que era Cristo.

Que o Senhor Jesus nos dê a graça de seu “Éfata”, para acolhermos a sua vida em nossas vidas, a sua água viva em nossos corpos e louvar eternamente cantando a Deus os nossos louvores. Não deixemos que o barulho do mundo nos impeça de ouvir o canto do Criador em nossos corações.

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