Atrás da Neblina

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Quando eu era pequeno, embora até hoje eu tenha vontade de saber isso, me perguntava como era possível a gente caminhar e caminhar e nunca conseguir passar além da neblina. Já parou para pensar que sempre andamos e a neblina cada vez mais se afasta de nós e nós nunca conseguimos vencê-la?
Andamos e queremos ultrapassá-la, mas ela teima ainda em ficar longe de nós, ela afinal nos vence.

Lendo o evangelho de hoje e meditando nas palavras de Jesus ao dizer: “Eu sou o pão vivo que desceu do céu”(Jo 6,41), me vejo novamente querendo vencer a neblina e saber o que de fato tem por trás dela, pois o que eu vejo é pão, mas o que tem por trás deste pão é o Mistério. Nosso Santo Pai Francisco diz que o corpo do Senhor “só pode ser visto em espírito, pois todos vêem o sacramento, que é santificado por meio da palavra do Senhor sobre o altar pelas mãos do sacerdote em forma de pão e vinho, e não vêem nem crêem segundo o espírito e a divindade que seja verdadeiramente o corpo e o sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo.” (Adm. 1), ou seja, somente com os olhos do espírito nós conseguimos ver para além das neblinas, além do véu, onde o Mistério se desvela para, então, contemplarmos o Cristo. A fé, então, não é uma certeza, mas sim um caminhar em dúvidas, a certeza somente é Jesus Cristo, caminhar até Ele é uma dúvida na qual todos nós depositamos nossa fé, de que um dia chegaremos a Ele definitivamente.

No versículo 42 os judeus começam a questionar como Jesus pode dizer que é o pão que desceu do céu se eles mesmos conhecem a sua mãe e seu pai. Sabemos como o Senhor transformou a vida de Francisco e certamente ele foi muitas vezes questionado em o porquê havia deixado o conforto do lar dos pais para viver como um pedinte. Jesus muito sabiamente não responde aos questionamentos dos Judeus, mas simplesmente diz: “Eu sou o Pão da Vida”.
Essa resposta quebra com qualquer lógica humana, e assim também Jesus quebrou toda a sua lógica e maneira de pensar. Os judeus estavam confusos e Jesus diz: “Bom, Eu vou ressuscitar, ninguém viu o Pai senão aquele que já estava junto dele e eu sou o ‘Pão da Vida’ o maná que vossos pais comeram e morreram não passa nem perto do Pão que eu vos ofereço que é Pão para toda a eternidade.”
É aqui que retorno a neblina da minha infância, quando não conseguia vencê-la, mas sabia que sempre poderia ir adiante, confiando no desconhecido. Assim é a resposta de Jesus, a princípio uma neblina que podemos ter medo de atravessar, mas confiantes de que após essa névoa que a resposta confusa trás à nossa mente, temos a certeza de um Salvador. Novamente para se entender que Pão é esse, que humilde sublimidade é essa que Francisco diz novamente em seu escrito que “só pode ser visto em espírito”.

Peçamos ao bom Deus olhos espirituais para ver o seu Corpo, para ver para além das neblinas da falta de fé e caminhar ardentemente ao encontro definitivo com Ele no céu.

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