João, primo de Jesus, é chamado Batista por que levava o povo que o seguia ao batismo de conversão. Com idade próxima a de Jesus, João é chamado o ultimo profeta, o precursor, aquele que veio antes para preparar o caminho para o Messias.
Temos poucos relatos sobre os feitos de João na bíblia, mas o pouco que temos é o suficiente para entendermos a personalidade desse homem, de quem o próprio Cristo diz que não existe maior na terra dentre os nascidos de mulher (Mt. 11, 11).
Humildade, coragem e austeridade são as qualidades que o fazem ser para nós hoje, um dos maiores exemplos do que é ser cristão tanto naquela época quanto nos dias atuais e nos leva a um questionamento: até que ponto estamos dispostos a preparar o caminho para que Jesus possa chegar hoje e por onde começar?
Em nossa terra, Brasil, João foi incorporado à cultura junina junto com Santo Antônio e São Pedro e faz parte de nossas tradições mas, mais do que uma festa, ele é, ou pelo menos deve ser, uma referência para crescermos e evoluirmos como seguidores daquele que ele preparou o caminho, que “não era digno de desatar as sandálias”. (Mt. 3,11).
Um dos traços mais marcantes de João Batista é a coragem. Mas, a coragem de anunciar e denunciar veio do silêncio, do deserto, onde buscava Deus e se alimentava de seu amor. Dessa experiencia, foi possível construir a sua identidade e treinar a escuta que separa a verdade dos ruídos que confundem o caminho e as decisões de quem quer seguir a Deus estando no mundo. Por isso, João com toda certeza conhece o seu Salvador e consegue distingui-lo no meio da multidão de pessoas e de pensamentos que o cerca.
Hoje, na era da informação ruidosa e contínua, sem uma escuta atenta e sem saber realmente quem somos e a quem pertencemos é muito difícil reconhecer Cristo.
Portanto, a coragem de João Batista não nos convoca a um enfrentamento vazio ou a um barulho inútil. Pelo contrário: ela nos convida ao retorno ao essencial. Ser profeta hoje, na trilha que João, Francisco e Clara nos abriram, é ter a audácia de não se deixar corromper pelo que é superficial.
Assim como João, somos chamados a preparar o caminho não apontando o erro do outro, ou na postura intransigente, mas apontando, com nossa própria vida, a presença d’Aquele que transforma todas as coisas.
Que, neste tempo de festa e de memória, possamos trocar o julgamento pela coerência.
Que nossa denúncia eficaz seja o próprio modo de viver o Evangelho: com mansidão, com verdade e com a coragem de quem sabe que, para o Reino de Deus crescer, é necessário que, a cada dia, o nosso ego diminua. Afinal, a maior profecia que podemos oferecer ao mundo não é a nossa voz que grita, mas a nossa vida que, silenciosamente, indica o Messias.
Em tempos de eleições iminentes no Brasil, refletir sobre o papel de João Batista na história da salvação é olhar para os tempos atuais com olhar de esperança, sabendo que somos chamados à sermos luz no mundo onde as trevas encobrem tantas maldades e hipocrisias.
Ana Karenina
